TRISTEZA MELANCOLIA

cordaO que impulsiona aquela pessoa tristonha,  frustrada e pensativa à procura de uma árvore, portando nas mãos uma corda?
Eis a dúvida!
Nascem hipóteses, conjecturas. Mas ninguém pode prever ou aferir a decisão tomada ante a realidade que o afeta e sensibiliza.

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        A resiliência é a capacidade de o indivíduo resistir à pressão de situações adversas, mantendo a saúde física, psíquica e espiritual. Contudo, a maioria não sai ilesa ante a adversidade.
        A verdade é que raros são aqueles que conseguem se proteger diante do sofrimento, pois a maioria se entrega ao desânimo ou à frustração em relação a alguém ou algo.
        E existem pessoas que se mantêm melancólicas e não conseguem apontar a causa de sua aflição.   Outras pessoas, além de sofrer, comprazem-se neste estado de espírito, desanimadas, chorosas, cultivando a tristeza e arrumando motivos para permanecer neste estado. Todavia, deparamo-nos frequentemente com indivíduos que enfrentam inúmeros problemas na vida, que tem todos os motivos para reclamar, para desistir, e que se mantém alegres, extrovertidos e bem humorados.
       No convívio social, a tristeza ou a melancolia se dissemina como praga, apesar de nem sempre externada, ou quase sempre dissimulada.
           Tristeza e melancolia são fenômenos cruciais, com significados diferentes.
       Tristeza é uma resposta natural a situações de perda ou de frustrações. Na tristeza, a causa do sofrimento é conhecida, tendo o indivíduo plena consciência do que se perdeu. Na melancolia, ao contrário, as motivações são inconscientes, não se sabendo o que foi perdido, levando, quase sempre, à diminuição no sentimento de autoestima, pela negativa autoavaliação que faz de si.
Possível descobrir a causa da tristeza. Mas poucos a este trabalho se dedicam, preferindo optar pelo consumo de remédios, anestésicos, e, nalguns casos, até por drogas ilícitas.
           Então, o que fazer?

         Na busca de si mesmo, a primeira conclusão a que se pode chegar é a seguinte: o homem não pode se manter indiferente ao sentimento da tristeza.

          Toda pessoa sensata deve encarar o luto, olhar para este sentimento — às vezes inquietante — com bastante seriedade, porquanto se trata de um momento propício à reflexão, de um mecanismo da mente a fomentar o autoencontro e o autoaprimoramento. O indivíduo deve perguntar se provocou a adversidade, seja por negligência, imprudência, etc., vasculhando alguma lição naquela experiência.
    Imperioso o cultivo da humildade, a ponto de perceber que o homem não tem condições de controlar todos os eventos da vida. E, mesmo se evitável o evento danoso, torna-se improdutiva a política íntima de fomentar a culpa e o autodesprezo, pois o erro acompanha os que caminham.
        Sem este cuidado, sem autoestima, não há aprimoramento, levando o indivíduo a optar pela fuga.
        Nesta fuga psicológica, o homem geralmente despenca da tristeza para cair na melancolia. Caso não tome medida adequada, o destino do indivíduo pode ser o ‘fundo do poço’.
   Quantas doenças físicas (psicossomáticas), psíquicas (neuroses, psicoses) e espirituais (obsessões, subjugações) podem ser evitadas. Atualmente, a ciência tem detectado inúmeras enfermidades provocadas pelo “transtorno de ansiedade”, talvez a maior causa das patologias mentais, cuja causa passa despercebidas pelo paciente (medo não se sabe do quê).
      Além destas causas patológicas, o Evangelho Segundo o Espiritismo nos apresenta outra causa da melancolia. FRANÇOIS DE GENÉVE menciona:

“É o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade, mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar.” 

     Em verdade, o homem na Terra precisa de muita determinação e convicção íntima para perseguir a liberdade e a felicidade.

     Se a pessoa não se despertar espiritualmente, se não ‘nascer de novo’, será alvo fácil das circunstâncias sociais, a conspirar contra seu bem-estar.
       Os meios de comunicação não tem qualquer compromisso com a educação; a ciência direciona seu trabalho para atender os interesses dos detentores de capital, daqueles que maliciosamente investem nas pesquisas científicas. Os legisladores sempre vinculados ao poder econômico, aquele mesmo que os financiaram na campanha política. Raramente recebemos boas notícias, num extravagante culto ao corpo, aos prazeres da carne, onde a ciência aponta o cérebro como a origem do pensamento.
        E assim vai…
      E uma das táticas é estimular o cepticismo, pois o homem sem destino é mais fácil de ser manipulado. “…se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve“. William Shakespeare

        Muitos não percebem o malefício do ateísmo, e não se conscientizam acerca da postura insana em ironizar o sentimento religioso. Como disse Leon Tolstoi:

O homem pode ignorar que tem uma religião, como pode ignorar que tem um coração; mas sem religião, e sem coração, não pode viver.

        Neste cepticismo, torna-se angustiante viver na Terra, onde o mundo se torna uma prisão.
    Testemunhos em torno da sobrevivência após a morte são refutados pela Ciência com teorias superficiais, longe de qualquer critério metodológico. Mesmo assim, sem qualquer constatação laboratorial, os cientistas usam de uma falsa superioridade para enfraquecer a fé, sequestrar a esperança das pessoas.
      E, assim, muitos alimentam a ideia de que o homem não passa de um aglomerado de moléculas, casualmente organizadas em prol da vida. Vivemos como se fossemos o corpo, sempre estimulando os desejos e paixões terrenas, intentos insaciáveis.
         Mas a verdade é que somos espíritos. A nossa verdadeira pátria é a espiritual,
         Vitor Durão asseverou:

“A melancolia não é um estado de espírito, mas sim o espírito sem estado”.

      Nesta posição, vivemos como errantes, sem Estado, fora de nosso verdadeiro domicílio, sem estreito contato com a nossa origem espiritual, sem ideal, sempre oscilando e mudando de lugar.
Este desleixo íntimo e social existe nos movimentos religiosos, onde inúmeros crentes se revelam desanimados, desalentados. Alguns se revestem de coragem e declaram a decepção íntima em não encontrar consolo na mensagem de Jesus. E, assim, alguns continuam tristes, a maioria envolvida em indecifrável melancolia.
           Neste caso, este estado de espírito significa negligência espiritual.
           Irmãos bem intencionados, mas equivocados na maneira de conduzir a própria vida.
           Referindo-se a estes crentes decepcionados, EMMANUEL asseverou:

“Falta-lhes dedicação ao bem de si mesmos”.

           E, na mesma mensagem, continua:

“Em todos os tempos, observamos criaturas que se candidatam à fé, que anseiam pelos benefícios do Cristo. Clamam pela sua paz, pela presença divina e, por vezes, após transformarem os melhores sentimentos em inquietação injusta, acabam desanimadas e vencidas”.

          Não há dúvida de que o cristão tem o dever de aprimorar sua qualidade de espírito, mas, não raro e de forma desavisada, perdemos enormes oportunidades para o equilíbrio íntimo.
       Às vezes, transformamos o sentimento de amor em apego; o zelo doutrinário em puritanismo; maculamos a benção do trabalho com a obsessão do perfeccionismo; envolvemos as tarefas diárias com a intenção incabível de obter aprovação social; na disciplina pessoal, dramatizamos nossos erros e desconsideramos nossos acertos.
         E assim vai…
         Quem consegue ser feliz nesta inquietação?

     Portanto, torna-se indispensável que o homem descubra, através de estudos e muita reflexão, a sua verdadeira natureza e, sobretudo, cogite sobre seu destino e sua missão aqui na Terra. Reconhecer sua natureza espiritual é perceber que os problemas sociais são desafios a enfrentar para o fortalecimento de si mesmo como espírito.
     Resta-nos tomar nas mãos a rédea da existência, enfrentando a languidez e a apatia com fé fervorosa, vencer o abatimento e o desânimo, amealhando recursos íntimos para solidificar conquistas.
        Viver na Terra como espíritos e não como corpos ambulantes.
        Jamais abraçar o desânimo e abatimento.
      Caso necessário,  procuremos  apoio especializado de médicos, de psicólogos no enfrentamento da melancolia.

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O que impulsiona aquela pessoa pensativa e tristonha, à procura de uma árvore, portando nas mãos uma corda?
Talvez tenha se entregado ao desânimo e alimenta o desejo de se matar por enforcamento; mas pode ser que ostente na mente o desejo de vencer o tédio, decidida a usar a corda para pendurar na árvore um brinquedo chamado balanço, e assim derribar este ‘estado de espírito‘ pelo resgate da criança interior, brincando e levando a vida com bom humor.

fechado_para_balanço

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