INQUIETUDE INTELECTUAL

Para a renovação íntima, além de auto-estima, o homem carece de alta dose de inquietude intelectual, desapegando-se dos valores sociais e da expectativa em obter a aprovação popular. Para tal intento, necessário descobrir o próprio valor e, assim, revestir-se da necessária coragem para enfrentar a si mesmo, questionar os valores pessoais e os ditames culturais.

Sabe-se que, não raro, a opinião pública e os conceitos humanos são precários.

Tanto é verdade que, quando alguém se mostra obediente aos princípios éticos, a sociedade o avalia como ‘puritano’, talvez para, de forma sutil, desvinculá-lo de toda e qualquer conduta digna, prevalecendo-se os rituais e a obediência cega aos dogmas; se alguém especula a respeito das previsões, o estudioso desta matéria é categorizado à conta de fanático, quem sabe para vigorar a indiferença quanto ao futuro; da mesma forma quando se alerta para o sexo responsável, em que o crítico ao ‘sexo livre’ é ironicamente taxado de moralista, quiçá para mantê-lo subjugado à luxúria contumaz; não fica longe também quando se trata de assuntos filosóficos, onde aquele que questiona sobre o porquê da vida é qualificado de incrédulo; e, por fim, acontece o mesmo com aquele que se dedica ao trabalho, sendo rotulado de masoquista aquele que com suor persegue o êxito no trabalho, acaso para que continue sonhando com a lei do menor esforço.

A rebeldia sadia é aquela que leva o homem à dúvida, à saída do casulo social, sem perder a individualidade e a humildade. Agindo assim, o cidadão perceberá que a vida é regida por um sistema de leis naturais e imutáveis. Enquanto não assumir o compromisso de entendê-lo, e de forma séria nele se adequar e se aprimorar, as doenças da alma acompanharão o homem, e as catástrofes sociais continuarão a solapar vidas, até que um dia o indivíduo se curve à harmonia do Universo, para assim fazer a tarefa que lhe compete.

Descabida a pretensão de aguardar a interferência divina para solucionar os problemas criados pelo homem plenamente capaz de resolvê-los, geralmente com um pouco de esforço.

Infelizmente, muitos sonham em conquistar algo sem trabalho e sem dedicação, cuja postura, em alguns casos, o paternalismo estatal fomenta e o conforto tecnológico estimula. Todavia, não se pode esquecer que até o progresso das técnicas é fruto de estudo e de determinação.

O despertar espiritual se dá quando o indivíduo se dispõe a abandonar as ‘reações mecânicas’, substituindo-as por ‘ações conscientes’ e, sobretudo, pela ‘reflexão íntima’.

A inteligência deve ser aprimorada, em que o desleixo pode levá-la a ser instrumento do mal, mesmo que acompanhada de boas intenções. Daí a necessidade de certa inquietude intelectual, necessária à oxigenação das idéias.

O homem deve, sobretudo, examinar cuidadosamente os próprios pensamentos, inclusive sopesando eventual influência intelectual externa, seja de encarnados ou desencarnados, porquanto a natureza destes poderá encaminhar o indivíduo à ascensão espiritual ou à derrocada moral.

Não há como ser feliz sem adequar a conduta diária à harmonia do Universo, muito menos sem detida análise do passado a levar à construção de um futuro melhor, a ratificar o “mérito pessoal” como o caminho para a ascensão espiritual.

Naturalmente, esta decisão leva à profunda dor psicológica, por implicar mudança de hábito de quem apenas reage mecanicamente diante das circunstâncias da vida, apegando-se à aprovação popular e às ilusões da Terra.

Indispensável, portanto, a sadia curiosidade rumo à regeneração íntima e social.

O único determinismo que existe é aquele ensinado por Emmanuel: “…por determinismo divino, estamos todos a caminho da Luz!”

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