CRIANÇA DIVINA

“Jesus vendo isso zangou-se e lhes disse: Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais; porque o reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham”. São Marcos, cap. X, 13 a 16.

Dia da criança!

Data propícia para refletir, nem tanto para festejar.

Quanta ‘criança abandonada’!

Criança fugaz pela indiferença do adulto e que vive a esmo, impedida de sonhar.

Vítima da rebeldia em face da orfandade que o sistema a pretende enclausurar.

Por não receber amor, recolhe-se assustada e, assim, vê-se descartada pelo desmedido prazer, pela fuga do dever daquele que por ela deveria zelar.

Não dispondo de afeto, oculta-se no teatro da vida até que o responsável se disponha a encontrá-la.

Neste estado, o adulto vive à revelia e passa a abusar do poder ou da autoridade; alguns se refugiam sob o manto de um maltrapilho ou se tornam vítimas do delírio de se destacar num cargo, não dignificando, por exemplo, a toga que representa ou poder que lhe advém do sufrágio. Outros se anestesiam no excesso de conforto que o dinheiro dispensa sem a felicidade alcançar. Torna-se um indivíduo que, apesar de bem nutrido, com roupa de grife ou boa mesada, não sabe o valor da família, nem a importância do respeito e, muito menos, a necessidade de amar.

Em verdade, a criança aqui mencionada não é aquela conhecida pela faixa etária. É aquela que se afugenta no porão da inconsciência, envergonhada dos atos praticados por quem lhe deveria representar.

Trata-se da ‘criança divina’ inerente a todos nós. Para reencontrá-la, eis aqui alguns dados.

Como prova de maturidade
Ela não usa qualquer máscara.
Mantém o sorriso na face,
Sem esquecer a sinceridade.
 
No convívio do dia-a-dia
Além de ser indulgente,
Ela valoriza a vida
E despreza a maldade.
Ela não deixa de sonhar,
E acreditar no plano acalentado
Confia em Deus, fada ou anjo
Para concretizar o planejado.
 
Ela é curiosa ao aprender
Por saber o tanto que ignora.
Para tanto é sincera ao declarar
A dúvida que lhe incomoda.
 
Ela está sempre a brincar.
Por não valorizar a ofensa,
Não precisa desculpar.
O perdão só é necessário
Àquele que se deixou magoar

Deixe esta ‘criança divina’ sair do porão para se manifestar. Por que não largar, então, os padrões alheios? Por que se escravizar aos costumes, à moda e às ilusões que o torna escravo?

Ampare esta criança que se encontra dentro de você, abandonada pelo fato de seu protetor esquecer-se de Deus e do caminho iluminado. Volte o olhar para o céu, deixe de camuflar a realidade. Abandone a raiva, o medo, a depressão e a ansiedade!

Ela não roga dinheiro, destaque ou homenagem. Espera apenas que você seja feliz, não se apegando ao supérfluo, fazendo bem feito o que é necessário.

Jesus no texto em epígrafe se referiu a esta criança, que nada tem a ver com idade. É o indispensável ‘estado de espírito’ que nos confere felicidade.

Então, volte a ser criança.

Afugente a hipocrisia, primando pela espontaneidade.
Seja mais flexível, sem esquecer a sinceridade.
Afaste-se do formalismo e adote a simplicidade.
Reconheça os próprios erros, assumindo a própria fragilidade.
Readquira a sublime inocência, primando pela honestidade.
Fuja das preocupações, sendo útil em qualquer idade.
 

Portanto, ao reencontrar a ‘criança divina’, cuide dela com bastante carinho, com cuidados delicados. Não permaneça órfão de Deus. Estenda os braços ao Criador e viva com entusiasmo.

Daí, certamente, sentirá a necessidade de declarar publicamente que finalmente se tornou feliz por tê-la encontrado. Bastará recuperar este ‘estado de espírito’ e não haverá na Terra a frase: menor abandonado!

“Em todo adulto espreita uma criança – uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa”. Carl Gustav Jung. Psiquiatra suíço (1875-1961).
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Sobre Despertar Espiritual

"Desperta-te, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá". Efésios 5:14
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