BOM SENSO

 

O que é bom senso?

Em primeiro lugar, valer recordar algumas definições. Para Aristóteles[1] “…elemento central da conduta ética, uma capacidade virtuosa de achar o meio termo e distinguir a ação correta em determinada situação[2].” Descartes[3] entende que bom senso é “a capacidade de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso que é propriamente o que denominamos bom senso ou razão…”.

Estes conceitos deixam claro que ‘bom senso’ é a virtude que conduz à ação correta, à procura do conhecimento verdadeiro, correlato à ética, vinculada às noções de sabedoria e ao princípio da razoabilidade. A capacidade de filosofar, de especular, o requinte do conhecimento, em favor do bem comum. O ‘bom senso’ adequa a ação do homem às regras e aos costumes, favorecendo a sua independência no convívio social. Leva à uma postura equânime.

Contudo, não corresponde à idéia de ‘senso comum’. Muita vez, o conceito de bom senso’ e senso comum’ não se equivalem, até mesmo se opõem.

O senso comum é resultado das crenças, dos costumes e das proposições que aparecem como normal, não advindo de investigação detalhada para alcançar verdades mais profundas. Ora, o ‘senso comum’ nem sempre anda de mãos dadas com os princípios da sabedoria, de justiça e de equidade. Que o diga os inúmeros resultados de eleições, mas há quem relute em defender ainda que “a voz do povo é a voz de Deus”.

O ‘bom senso’ é o difícil caminho a ser percorrido com destino à sabedoria, porque enfrenta costumes arraigados, proposições manipuladas, manipulação do poder, etc..

Se alguém perguntar o que é bom senso, o interlocutor terá dificuldade em explicar. Pode até descrever os enunciados acima. No entanto, referidos conceitos se socorrem de termos subjetivos. O que significa justiça? O que é razoabilidade? Como convencer alguém de que algo é correto? E, sobretudo, o obstáculo humano de lutar contra o próprio interesse em descompasso com os princípios da justiça.

A apreciação de justiça, verdade, ética, depende da maturidade da cada indivíduo, coletividade ou nação, e da firme resolução em encontrá-la. Não que a justiça seja uma quimera. Não. Normalmente a miopia visual, o despreparo emocional, a deficiência educacional, levam à uma apreciação equivocada.

Quando se diz: “você agiu com ‘bom senso’!” é o mesmo que dizer: “você decidiu com justiça, com equilíbrio, com maturidade!”

Esta qualificação não é exclusiva aos sábios. Não! Mas sempre os acompanha. Ainda mais quando se é conclamado como a “encarnação do bom senso”, em sinal evidente do equilíbrio e senso ético de determinada pessoa.

Camille Flamarion, ao pé do túmulo de Allan Kardec, fez um discurso em sua homenagem afirmando que o mesmo era “o bom senso encarnado”. Isto demonstra a credibilidade do codificador, seja como educador, cientista, filósofo.

Infelizmente, o “o bom senso encarnado” não alcançou destaque no ‘senso comum’, talvez porque ainda não alcançamos a devida maturidade para reconhecer não somente o mérito do codificador do Espiritismo, mas de todo e qualquer espírito lúcido sobre a face da Terra.

É tarefa de cada um conquistar um pouco mais de maturidade!

[1] http://www.caminhosparaoespiritismo.org.br/blog/wp-content/uploads/2010/03/Nilza-Pel%C3%A1-Delphine-de-Girardin-e-o-Bom-Senso-de-Kardec.pdf. Acessado no dia 21.07.2010.
[2] http://uescolagestao.wordpress.com/2009/08/03/o-bom-senso-na-gestao-de-projetos/. Acessado no dia 21.07.2010.
[3] http://site.dm.com.br/noticias/opiniao/o-bom-senso-e-o-senso-comum.
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Sobre Despertar Espiritual

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