O PECADO DO PADRE

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Jesus (João 16 : 33)

Quem não tem meta, não sonha, não alimenta um ideal, é um ‘morto vivo’.  Se para viver o indivíduo precisa vencer intempéries, naturais e culturais, imagina o que enfrenta aquele que procura fazê-lo de forma ética? Indispensável autoestima para alcançar o objetivo. Impossível alcançá-lo sem trabalho e esforço, que nem sempre a fama exige.

Mas é melhor enfrentar adversidades e obstáculos por um ideal, do que viver sem sonhos.

Paulo Coelho[1] sinteticamente declara que a sua filosofia de vida é ‘morrer vivo’. Viver plenamente, vencer desafios sem deixar de sonhar. No entanto, raros são aqueles que conseguem alcançar o sucesso, conviver com ele e vencer as agruras que o acompanham.

Muitos sucumbem.

Numa sociedade onde até os ídolos são fabricados, destacar-se na mídia e manter conduta ilibada exige sabedoria e fortaleza.

Enquanto desenvolveu, por vários anos, o seu trabalho na Canção Nova, em palestras, composições, shows, o padre Fábio de Melo se manteve ignorado. Todavia, tão logo alcançou a mídia nacional, inúmeros comentários surgiram. A maioria, irônicos e maldosos. Dentre estes, citarei parte do que foi publicado na Revista Veja, onde se ressalta a malícia e o menosprezo: “Seus cabelos, provavelmente por inspiração do Espírito Santo, emitem reflexos dourados”[2].

Obviamente, estes comentários partem de jornalistas que não pautam o seu labor pela ética profissional. Críticos levianos que não dignificam a Comunicação Social; que não priorizam ou valorizam o trabalho alheio, e desprezam o parâmetro constitucional de fomentar o bem-estar e a justiça social (art. 193, CF). Enojam profissionais sérios desta nobre área. Buscam, a todo custo, chamar a atenção sem o menor escrúpulo. Profissionais sem ética, filhos de uma classe social cética, materialista e utilitarista, a serviço do capitalismo insano, onde o lucro é o fim de tudo.

Não admitem o requinte e boa-fé alheia.

Certamente alegam que estão na defesa de cidadãos manipulados por ‘exploradores da fé’, menosprezando a ‘acuidade intelectual’ de eventuais ‘explorados’. Como quem diz: cantar com fé dá dinheiro. Postura autoritária, pseudo-paternalista. Contudo, equiparar-se-ia, neste caso, à ‘projeção da sombra’ da psicologia analítica. Como tiram proveito da mentira, concluem que todos são da mesma laia.

Estranhamente, ‘bandas de rock’ ou ‘cantores populares’, que fazem apologia da morte, do sexo leviano, que incitam o suicídio e o aborto, defendem a droga, quebram guitarras e matam animais no palco, obtém destaque, até mesmo em capa de revistas. Em muitas canções, advogam a morte. No mesmo tom, muitos profissionais do jornalismo favorecem a miopia intelectual e a falência moral do homem, tornando-o manipulável. Por sensacionalismo puro, divulgam ao vivo pela televisão, imagens de vítimas de acidentes e de mortes brutais; assaltos, seqüestros, estupros, etc.; flagram prisões e, depois, acompanham a apresentação do ‘alvará de soltura’ do custodiado, obtido, não raro, por artimanhas jurídicas. E, ‘com chave de ouro’, o plantão de notícias testemunha o retorno de criminosos, agora famosos, ao convívio social.

Sensacionalismo que propaga o crime e freqüentemente induz o povo à descabida indignação. De forma indireta, favorece também a melancolia, a depressão e o descontentamento doentio. Tudo em nome da liberdade de expressão. Verdadeira afronta ao inciso IV, do artigo 221, da Constituição Federal, por não respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Divulgar o crime pode! Falar em ética, não!

Estes paradoxos justificam a ausência de sonhos na mente juvenil, o cepticismo cultural e o número extenso de múmias nas colunas sociais, ao lado de pessoas sérias. Aliás, múmias bem maquiadas, com pele esticada, mas sem o brilho digno no olhar.

O público tem acesso à mensagem diabólica, sem limites e censura. Entretanto, para se falar em Jesus, a hipocrisia recrudesce.

Enfim, o que incomoda tanto no padre Fábio de Melo? Que falta comete? Qual o pecado do padre? Ser bonito? Falar com fluência e convicção? Cantar e encantar? Para ser Cristão verdadeiro precisa ser pobre, feio, iletrado e medíocre?

Se fosse apenas um padre escondido na paróquia, ranzinza, fracassado em sua maiêutica, ultrapassado, a mídia não o ironizaria, porquanto o ridículo não incomoda a quem conta com a ignorância do povo. Todavia, o competente, laborioso ou ético enfrenta muitas aflições. Para tanto, este necessita se revestir da couraça da fé, da autoestima, do combustível de seu ideal, da consciência tranqüila.

O pecado do padre Fábio é conscientizar com Jesus. Isto não pode! O ‘mundo secular’ é conivente com aquele que satisfaz os seus interesses passageiros e demoníacos, mas cruel com o que ousa enfrentar o ‘tempo’ e seus interesses.

Muitos são aqueles que ‘vencem no mundo’. Raros aqueles que conseguem ‘vencer o mundo’, lutando pelo ideal sem pensar sacrifícios. Quem ‘vence no mundo’ obtém aplausos; quem ‘vence o mundo’ geralmente convive com espinhos, oriundos da maldade calculada, da inveja e da precipitação.

A melhor resposta é o trabalho. A vida só tem sentido quando se desenvolve uma ocupação útil. É preferível morrer a perder a vida.

Muitos podem se aproximar do padre pela aparência física que ele ostenta. Só que o mensageiro está atraindo a admiração para algo bem mais profundo e magnífico: o evangelho de Jesus. Não está vendendo ‘gato por lebre’. Neste caso, o consumidor está protegido. Alguns podem até se deixar atrair pelo ‘gato’ — como é qualificado por alguns —, mas, em verdade, terão acesso a uma filosofia profunda. A mensagem é bem maior do que o instrumento que a noticia. O Evangelho é tão consolador que encanta aqueles que a propagam, tornando-os, não raro, encantadores e sedutores.

Que pecado comete a luz em clarear o caminho?

O Mestre dos mestres nos ensinou:

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”. Jesus[3]

De minha parte, oro para que nada detenha aquele que divulga a mensagem do amor, da paz e da esperança, seja que credo ele abrace.


[1] http://www.acervoesoterico.com.br/category/paulo-coelho

[2] Marcelo Marthe e Sérgio Martins. In REVISTA VEJA, edição 2098, 4 de fevereiro de 2009. Disponível no site: HTTP://veja.abril.com.br/040209/p_120.shtml, acessado no dia 1º de junho de 2009.

[3] Mateus, 5:16.

Anúncios

Sobre Despertar Espiritual

"Desperta-te, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá". Efésios 5:14
Esse post foi publicado em ARTIGOS, DOUTRINA. Bookmark o link permanente.