“O CRISTIANISMO É UNO”

“…a Divina Sabedoria…  …., confiou à Religião a tarefa de velar pelo desenvolvimento da alma, propiciando-lhe abençoadas luzes para a jornada de ascensão. A crença religiosa, todavia, mormente nos últimos anos, tem-se revelado incapaz de tal cometimento: falta-lhe pessoal adequado[1]

Certo dia, num solilóquio, perguntei: Por que será que outras denominações religiosas não admitem sequer refletir sobre os princípios espíritas, como, por exemplo, o da reencarnação?

Ora, a lei da reencarnação descortina novo horizonte à visão humana…

Concluíra, então: a que ponto chega o preconceito, quando impede o crente de abrir os olhos para a realidade que lhe favorece, mantendo-o iludido?!

Todavia, imediatamente brotou em minha mente as seguintes interrogações: Por que será que os espíritas nem sempre abrem a porta do coração para reconhecer o valor de outras religiões ou zelosamente examinar-lhes os postulados? Não seria um contra-senso esperar dos outros a postura que não abraçamos?

Imbuído nesse propósito, descerrei os olhos para outros enfoques e, assim, apreciá-los, independente de quem venha… Como conseqüência, tenho aprendido muito. Corroborando a intuição, Chico Xavier[2] nos presenteou com a seguinte lição:

“Mas acho que Jesus ainda é nosso maior ponto de chegada, nosso ponto central de atenção. Não compreendo a divisão da fé. Acho que o cristianismo é uno e sua divisão é incompreensível.”

Descobri, destarte, que a religiosidade digna está presente em todas as religiões e que estas geralmente fornecem subsídios à necessária intimidade com Jesus. Sobretudo, aprendi que, por mais que não concordemos com a crença alheia, a crítica insensata é um desrespeito, ou seja, um comportamento inadequado.

Sem dúvida, o Espírita não é um alienado. Ele, como filósofo, percebe a religião que aliena e aprisiona. Todavia, o Espírita-Cristão é espiritualmente elegante, pois o caráter religioso da doutrina o leva a destacar o trabalho excelente e digno, independente de sua origem, renegando para segundo plano o que separa ou o que distancia.

Desde então, mesmo a contragosto de alguns, destaco nas preleções públicas, desde que compatíveis com o Espiritismo, ‘frases de sabedoria’ de autoria de padre, pastor, ator, cantor, ‘mendigo’, não me detendo apenas em citações de autores espíritas.

E não só…

Exibo nas instituições espíritas melodias criadas por irmãos de outras searas religiosas, desde que coerentes com os ‘princípios Espíritas’.

Em suma, comecei a estender a mão em direção ao ‘semelhante’ e a desprezar o que divide, porquanto, como Euzébio ensina:

“O Governo Universal não nos circunscreveu as atividades à guarda de altares perecíveis…

“Não fomos convocados a velar no círculo particular duma interpretação exclusivista,…

“…senão a cooperar na libertação do espírito encarnado, abrindo horizontes mais claros à razão humana, refazendo o edifício da fé redentora que as religiões literalistas esqueceram”.


[1] Calderaro. Processo Redentor. In NO MUNDO MAIOR. A preleção de Euzébio.

[2] Chico Xavier. In Lições de Sabedoria. Marlene Rossi Severino Nobre. Pág. 81.

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Sobre Despertar Espiritual

"Desperta-te, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá". Efésios 5:14
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