FILHO MARGINALIZADO

“Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior”.[1]

Cada ser humano é um mundo à parte. Nem sempre a rebeldia é decorrente da educação recebida no lar, vez que “…há naturezas refratárias[2]. Como, também, a boa intenção dos pais não basta, exigindo reflexão cuidadosa.

A autoridade moral advém de uma vida equilibrada, digna e exemplar. E, para tal desiderato, muitos pais interpretam um papel que lhes é distante.

Partindo do princípio de que a criança percebe, mesmo inconsciente, a emersão em si dos vícios pretéritos, pergunta-se: este modelo “irrepreensível” que é proposto não fomentará nela alguns conflitos íntimos?

Talvez se torne uma barreira, gerando no filho inúmeros conflitos inconfessáveis. E o genitor, por vezes, não detecta a ansiedade do rebento, sôfrego em seguir aquele modelo paterno.

O pai aparentemente não mente, não é desastrado, e o descendente sim; aquele às vezes sente atração pelo sexo oposto, e este não; o aprendiz é agressivo, apesar da serenidade paterna, etc..  Esta situação favorece que o filho seja infeliz, com pouca auto–estima: sente-se como um ser fora da criação, um marginal, um fora-da-lei.  Ele se isola.

Por causa disto, o educando pode adotar basicamente três caminhos: arvorar-se naquele padrão; interpretá-lo, tornando-se hipócrita; ou rebelar-se, obtendo o rótulo social de marginal.

A criança nem sempre se decepciona ao saber que seus pais foram peraltas.  Quiçá esteja aí o elo entre o aprendiz e educador.

Ao assumirem suas dificuldades, os pais se aproximam do filho. Demonstram que todos somos alunos, sujeitos a tendências instintivas  a controlar e redirecionar. O filho necessita de sinceridade, solidariedade e acompanhamento digno. O educando precisa de testemunhos de crescimento material e espiritual, mas, sobretudo, de um confessor sensível.  Com isso, empreenderá, sem hipocrisia e neuroses, o trabalho de auto–aprimoramento.

Portanto, os pais devem examinar constantemente a sua postura perante os filhos. Quase sempre o infrator, antes de ser rotulado marginal, foi um filho marginalizado, possivelmente não pelo desamor ou despreparo, sim pela insensibilidade ou desatenção dos pais.


[1] Santo Agostinho. In EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. CAPÍTULO  HONRA A TEU PAI E A TUA MÃE.  12 ed. São Paulo: Editora Federação Espírita do Estado de São Paulo, 1979. p. 190.

[2] FÉNELON. In LIVRO DOS ESPÍRITOS. Cap. XII, questão Nº 917. 38 ed.. São Paulo: Editora LAKE, 1978.p. 365.

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Sobre Despertar Espiritual

"Desperta-te, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá". Efésios 5:14
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