“POR QUE VOCÊ NÃO SE TORNOU VOCÊ?”

“Se Deus, em seus desígnios, vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver a vossa inteligência, é que quer a utilizeis para o bem de todos; é uma missão que vos dá, pondo-vos nas mãos o instrumento com que podeis desenvolver, por vossa vez, as inteligências retardatárias e conduzi-las a ele”.[1]

LEO BUSCAGLIA[2] relembra Elie Wiesel que disse: “…quando morremos e vamos ao encontro de nosso Criador, a pergunta que nos farão não será por que não nos tornamos um messias, um líder famoso ou alguém com resposta para os grandes mistérios da vida. A pergunta será simplesmente por que você não se tornou você, a pessoa plenamente ativa, realizada, que somente você possuía o potencial para se tornar?

Sem sombra de dúvida, Deus fez o homem para viver em sociedade, porquanto “…insulado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contacto com os outros homens. No insulamento, ele se embrutece e estiola[3].” É no contato social que o homem se desenvolve, obtém recurso para a sobrevivência física e a própria ascendência moral.

E a inteligência é um recurso que Deus disponibiliza ao homem para o seu desenvolvimento. Só que inteligência é para ser usada, não moldada. O Brasil vive, pelo menos juridicamente falando, num Regime Democrático de Direito. Do ponto de vista formal, sim; mas, na verdade, materialmente falando, vivemos numa ditadura, dentre elas a do intelecto. Não raro, são os outros que decidem por nós.

O homem, por mais que ele saiba, o seu conhecimento é bastante estreito. Por mais sábio que seja, o seu conhecimento é limitado. Como deixar que terceiro decida por nós? Ora, a inteligência é um instrumento útil e indispensável à nossa evolução. É a carta de alforria, a liberdade que Deus nos confere.

Por que abrir mão desta benesse?

Todavia, se usássemos a inteligência conforme a vontade de Deus, a nossa vida seria diferente. Com tristeza, flagramos alguns cientistas dando testemunho de uma arrogância sem igual, valorizando apenas o conhecimento avalizado pela Ciência Oficial. Ora, o método científico é limitado para desvendar todas as verdades da vida e da natureza. Por isso, as ‘verdades científicas’ são mutáveis, nem sempre atingindo a essência das coisas. Que o diga a Física Quântica. Estes conhecimentos se alteram à medida que a tecnologia ou a capacidade de analisar progride. A ciência não é capaz de responder a todas as perguntas.

O fato de o conhecimento científico ser mutável e limitado não diminui a arrogância de alguns cientistas. E, com isso, em nome da Ciência, muitos médicos, psicoterapeutas e outros profissionais não se arrocham em adotar em seus pacientes ou proporcionar a seus clientes a utilização de técnicas ou conhecimentos ligados à espiritualidade. Alguns, certamente, negam-se a este propósito para serem aceitos nas Universidades e no mundo científico.

Quase sempre a pergunta é: por que não ajudar a humanidade, mesmo sem a aprovação da academia ou averiguação pelos métodos científicos? Com isso, geralmente o homem se perde. Abandona a sua própria essência, desprezando os interesses espirituais.

E isto não somente no campo científico. Também, no campo religioso.

A Religião formal assumiu o papel de direcionar a conduta do homem. Como o cientista ainda não conseguiu relativizar o valor metodológico de pesquisa e observação, o religioso se vê perdido em meios a dogmas e preceitos, quase sempre impostos. Nem no campo científico, como no religioso, a especulação encontra guarida. Há uma espécie de formatação da consciência. A Ciência propugna pela dúvida, só que dentro de parâmetros laboratoriais; a religião a repudia taxativamente.

Devendo se beneficiar do conhecimento, o homem fica à mercê desta viseira terrena.

Dentre vários princípios da Doutrina Espírita, um é pouco destacado até pelos espíritas. É o respeito à crítica, à especulação. Contudo, mesmo assim, percebe-se nas Casas Espíritos o hábito arraigado de direcionar e conduzir a mente humana, com sermões e receitas indiscutíveis. Como o cientista rejeita o não provado, o religioso impõe dogmas insuscetíveis de especulação. Como o crente não tem o hábito de duvidar, porque aprendeu que isso é pecado, deixa-se levar cegamente pelos discursos moralistas de intelectuais desavisados.

Cegos guiando cegos…

A Doutrina Espírita nos ensina que iremos responder por nossos atos. Admitindo-se esta premissa como verdadeira, não podemos nos deixar conduzir pela elucubração alheia. Temos que assumir a responsabilidade da nossa vida e duvidar, questionar, estudar, perquirir. Isso é a liberdade a nos conferir o bem-estar.

Em vez de assumir o papel de missionário a conduzir a vida alheia, devemos nos questionar sobre como estamos conduzindo a nossa. No entanto, raramente se pergunta: o que estou fazendo com minha vida? Como estou aproveitando-a?

Antes de sermos ‘santos’, precisamos ser humanos. Admitir nossas fragilidades, assumir nossas angústias e procurar vencê-las, sem medo do ‘improvável’ e do ‘misterioso’. Quem sabe o homem obterá, pela intuição, acesso a verdades que a ciência está longe de demonstrar? Nesse dia, não estará preso aos métodos oficiais. Bastará olhar para dentro e contatar o Deus que habita em nós. Só que terá que ter a humildade para reconhecer:

Sempre acreditei nos números, na equação e na lógica que levam à razão. O que realmente é a lógica? Quem decide a razão? Minha procura me levou através do FÍSICO, do METAFÍSICO e do ILUSÓRIO e de volta fiz a descoberta mais importante da minha carreira: É somente nas misteriosas EQUAÇÕES DO AMOR que qualquer lógica ou razão pode ser encontrada[4]


[1] Ferdinando. In Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo VII, item 13. FEB, Rio de Janeiro.

[2] Buscaglia, Leo. In Assumindo a sua personalidade: aproveite da vida tudo o que ela tem a oferecer. Tradução de Maria Célia Medeiros Castro. 17ª ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 2006, p. 36.

[3] Questão 768, Livro dos Espíritos.

[4] Nash Jr, John. PRÊMIO NOBEL ECONOMIA 1994. Frase citada no filme Mente Brilhante.

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Sobre Despertar Espiritual

"Desperta-te, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá". Efésios 5:14
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